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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O MELHOR RUIM

Estive pensando...

Vários jogadores com pouca intimidade com a bola já vestiram a camisa do Flamengo.

Muitos passaram em branco e ninguém se recorda deles. 

Pouquíssimos são lembrados e só o são graças à dedicação que demostravam em campo.

Alberto Leguelé, Piá, Peu, Buião, Tinteiro, Onça, Caldeira, Radar, Beijoca...

Atualmente tem o Hernane, que se especializou em um toque só, a finalização.

Hernane, o artilheiro do Brasil
Ele corre desengonçado, dribla mal, raramente dá bons passes e não consegue dar sequência à uma boa tabelinha.

Mas o cara é artilheiro. É, como ele mesmo diz, o Brocador.

Na sua simplicidade, na sua humildade, na sua falta de categoria (que tanto critiquei e critico), ele é o artilheiro da temporada do futebol brasileiro, com 31 gols, junto com Magno Alves, do Ceará.

Tem que tirar o chapéu para ele, que tem sido tão eficiente dentro da área adversária.

Mais eficiente que muito medalhão por aí.

Os três gols na goleada que o Mengão aplicou no Botafogo, são a prova final do que estou dizendo.

Se não estou sendo traído pela memória, arrisco a dizer que Hernane é o melhor jogador ruim que já vi com a camisa do Flamengo.

Que continue assim...

FESTA NA FAVELA!

Foi mesmo o jogo do ano!

Eu tinha certeza da vitória, mas não esperava que fosse por 4 x 0.

Golear e eliminar o Botafogo não é fácil, pois o time deles é bom.

Só que a tarefa foi facilitada, inicialmente, pela atuação de Paulinho. Ele entortou e deixou louca a defesa alvinegra.

O incansável Paulinho
enlouqueceu a defesa botafoguense
Dos pés dele saíram as jogadas mais perigosas no ataque, sem falar a ajuda que deu a André Santos na marcação pelo lado esquerdo da defesa rubro-negra. Incansável!

Imagina se ele soubesse chutar a gol?...

Jayme de Almeida armou a estratégia perfeita e os jogadores cumpriram à risca suas ordens.

Foram altamente dedicados e disciplinados taticamente. Fortes na marcação.

Com o show de Paulinho e com a defesa botafoguense tonta, o time todo do Flamengo dominou a partida.

Paulinho e Leonardo Moura foram verdadeiros monstros em campo.

Hernane, mais uma vez, decidiu. Em três toques fez três gols. 

Tem estrela, o Brocador!
Hernane, o mestre de cerimônia
da festa rubro-negra

Não precisou driblar. Não precisou fazer tabelinha. Artilheiro de verdade resolve num toque só.

Hernane mostrou que também é parceiro. Não foi fominha e deixou o aniversariante Leonardo Moura cobrar o pênalti e comemorar em grande estilo seus 35 anos. Oito deles como titular do Flamengo!

Só eles se destacaram? Nada disso.

Também foram muito bem o Felipe, o Chicão, o Wallace (atuação perfeita), o André Santos, o Amaral (um cão de guarda raçudo), o Luís Antonio e o Elias.

Mesmo com um a menos (já que, pra variar, Carlos Eduardo não jogou nada) o Flamengo deu uma chinelada histórica na cachorrada chorona.

A torcida, que ocupou três quartos do Maracanã, fez a festa.

Foi festa na favela!

Agora, nas semifinais da Copa do Brasil, que venha o Vasco, velho freguês de caderninho, ou o Goiás!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A CACHORRADA TÁ COM MEDO

Amanhã é dia de nos classificarmos para as semifinais da Copa do Brasil.

Diante do Botafogo, no Maracanã, será o nosso jogo do ano.


No movimento de venda de ingressos, podemos constatar que a cachorrada tá com medo, já que os rubro-negros serão maioria esmagadora no estádio.

Em condições normais de temperatura e pressão, o Flamengo tem tudo para se classificar. 

É só não perdermos para nós mesmos, errando passes em demasia e chutando a gol de qualquer maneira. É preciso ter um mínimo de capricho numa hora dessas.

Só nos resta torcer para entrarmos em campo com um time completo.

Que o Jayme de Almeida não escale, por exemplo, o Carlos Eduardo como titular. Se possível, que este inútil não fique nem no banco.

Com esse cara em campo, o time fica com menos um.

domingo, 20 de outubro de 2013

SAÍMOS NO LUCRO

A derrota de 1 x 0 para o Atlético Mineiro é um resultado normal.

E o gols dos caras foi sensacional...

Dada as circunstâncias, com titulares suspensos ou poupados, com um time recheado de reservas e desentrosado, podemos dizer que saímos no lucro.

Mesmo assim, poderíamos ter conseguido pelo menos um empate, não fossem duas ou três defesas milagrosas do goleiro Victor, do Galo.

Sem falar das outras poucas e péssimas finalizações de Val e Bruninho.

Sejamos justos com o Val, no segundo tempo ele até que jogou bem, para o que pode e o que sabe.

Como Hernane atrapalhou...
Hernane atrapalhou demais. Vendo que o time errava muitos passes e a bola mal chegava no ataque, recuou e passou a jogar de meia. Aí é que a coisa complicou ainda mais. O lugar dele é enfiado na área adversária.

Frauches, improvisado na lateral-esquerda, foi um desastre.

Digão, na direita, uma piada.

Rafinha entrou e não fez nada.

Carlos Eduardo, como sempre, foi nulo e só conseguiu fazer um bom passe para Hernane, que quase marcou.

A boa notícia é que o Carlos Eduardo levou o terceiro cartão amarelo e está suspenso. Estamos livres dele no domingo, diante da Portuguesa.

Agora a preocupação passa a ser a partida contra o Botafogo, nas quartas de final da Copa do Brasil, quarta-feira. É um jogo que pode salvar o ano.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SUPERAÇÃO

Numa partida em que toda a equipe teve que se superar fisicamente, o Flamengo conseguiu vencer o Bahia por 2 x 1, no Maracanã.

Era para o time ter feito pelo menos um gol no primeiro tempo, quando, quase sempre, tem dominado os adversários, nos últimos jogos.

Chega nos primeiros dez ou quinze minutos do segundo tempo, o time tem experimentado uma queda de rendimento considerável.

Vencíamos por 1 x 0, com um gol de Paulinho, quando o Flamengo começou a perder o meio-campo para o Bahia.

Leonardo Moura mais que cansado, não teve fôlego para voltar e os baianos igualaram o placar exatamente numa jogada iniciada pela direita da defesa flamenguista.

Paulinho comemora o gol que marcou
Paulinho correu muito e jogou demais. Foi o melhor em campo e premiado com o gol de cabeça que fez.

Wallace, a quem muito critiquei, tem sido a segurança da defesa.

Luiz Antonio fez de tudo na defesa e no ataque.

Uma coisa ficou clara para mim, depois que a torcida do Flamengo começou a xingar o técnico Jayme de Almeida de burro, porque substituiu Elias e colocou o limitado Val.

Quem estava no estádio não percebeu que Elias estava extenuado e pediu para sair. Como o Jayme precisava segurar o resultado, colocou um volante a mais para marcar.

A sensação que tive foi que o time conseguiu um fôlego extra, sabe-se lá de onde, e arrancou a vitória na marra.

E foi o velho Leonardo Moura, rubro-negro de corpo e alma, num último suspiro, que conseguiu alcançar um lançamento longo, já na linha de fundo, e cruzar a bola para o gol da vitória de Hernane.

Jayme recebeu o apoio dos jogadores
Tudo na raça! Tudo na superação!

Todos os jogadores foram abraçar o treinador e mostraram para a torcida que o Jayme merece respeito.

O recado estava dado. Dedicaram a vitória ao treinador.

Para coroar o triunfo, Felipe fez uma defesa milagrosa, numa bomba desferida pelo ataque baiano, no último lance do jogo.

Uma partida com muitos heróis.

Estava escrito, não nas estrelas, mas nas nuvens da noite chuvosa do Rio de Janeiro, que os três pontos tinham que ir para a Gávea.

Coisas de Flamengo...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

CONTANDO HISTÓRIA...

De vez em quando, tenho contado alguns fatos curiosos, engraçados ou importantes da história do Flamengo.

Todos tirados do livro "100 anos de bola, raça e paixão", que escrevi com os companheiros Celso Júnior e Arturo Vaz.

Esta é sobre como os ex-atletas do Fluminense convenceram o Flamengo a criar um departamento de futebol e como o clube começou a ficar tão popular.


Saída honrosa. Ainda faltava uma partida para o campeonato de 1911 acabar e o compromisso do Fluminense seria contra o América. Paranhos, o zagueiro que serviu de pivô para a crise, ao ser escalado no lugar de Borgerth, pediu aos dissidentes que participassem do confronto. Com o idealismo dos atletas amadores, todos concordaram em honrar a camisa tricolor pela última vez e cumprir com mais esta missão. Menos Borgert, que estava afastado pela diretoria.
O América, que terminou o certame como vice-campeão, tinha em seus quadros atletas com a grandeza de Marcos Carneiro de Mendonça, que viria a se transferir para o Flu e acabaria sendo o primeiro goleiro da Seleção Brasileira, e o ótimo Belfort Duarte, até hoje venerado como símbolo de nobreza e lealdade em campo. Era um adversário complicado. A partida foi no dia 1º. de outubro, todos se dedicaram ao máximo e o Fluminense venceu por 2 a 0, com gols de Gallo e Paranhos.
O time das Laranjeiras foi campeão invicto, vencendo todas as seis partidas que disputou,  já que o Carioca foi disputado por apenas quatro equipes, em dois turnos e pontos corridos. Foram 21 gols a favor e apenas um contra. 
No dia 3 de outubro, Borgerth e seus companheiros entregaram ao Fluminense um ofício pedindo o desligamento do clube. Na reunião de diretoria, não houve consenso. O presidente Atahualpa Guimarães chegou a ficar indeciso na hora de dar o voto de minerva, até que Affonso Castro convenceu o mandatário tricolor de que “a saída destes atletas vai estabelecer, de modo definitivo, o princípio de autoridade em nossa agremiação”.
Era o que faltava para que os nove rapazes seguissem seu novo caminho. Dos titulares, ficaram no Flu apenas James Calvert e Oswaldo Gomes, que viria a se consagrar, em 1914, como o autor do primeiro gol da história da Seleção Brasileira.
           
O carismático. A luta de Alberto Borgerth, aos 19 anos de idade, e seus camaradas ainda não havia terminado. Teriam que vencer pelo menos mais um round: convencer o Flamengo a ter um time de futebol. Persuadir os “fortões do remo” não era tarefa fácil, sem falar que alguns conselheiros acreditavam que tudo não se passava de uma aventuda e que os rapazes fariam as pazes com o Fluminense e criariam um problema para o Flamengo. Seria preciso muita lábia. O futebol ainda era alvo de muita desconfiança, visto como um esporte nada masculino.
            Dia 8 de novembro de 1911. Assembleia no Flamengo. Autorizado pelo presidente Virgílio Leite de Oliveira e Silva, Borgerth tomou a palavra e sugeriu aos associados a criação de uma seção de futebol no clube. Com seu carisma, o jovem estudante de medicina desfilava suas razões: era o time campeão da cidade e era quase certo que a Liga Metropolitana de Sports Atléticos (LMSA) colocaria o Fla na primeira divisão, mesmo com o regulamento prevendo a segundona para as equipes estreantes.
            Apesar de sua eloquência e dos argumentos embasados os membros da assembleia não se convenceram de cara. Incomodava a eles o papo-furado de “futebol ser um esporte de pulinhos e de bailarinos, além de ter muito contato físico entre homens”.
            O presidente Virgílio Leite se convenceu, mas não poderia impor uma decisão. A assembleia era soberana, mas, apesar de uma primeira resposta negativa, viu-se que muitos passaram a considerar a possibilidade do Flamengo ter futebol. Ao deixar a reunião, o presidente se dirigiu a Borgerth: “Você está fazendo medicina, mas eu acho que darias um ótimo advogado”.
            Com toda a certeza, o assunto continuou se arrastando em conversas dentro do clube. De vez em quando, num canto ou outro, havia um burburinho. A ideia ia se solidificando aos poucos, até que numa reunião extraordinária, na noite de 24 de dezembro, finalmente foi aprovada a criação do de um Departamento de Esportes Terrestres e a direção foi entregue ao competente Borgerth.
            Mas... Sempre existe o “mas”... O pessoal do futebol tinha que atender a algumas condições impostas pelos remadores. Em primeiro lugar, deveriam se virar com recursos financeiros gerados pelo novo departamento. Se a experiência não desse certo, acabava-se com o futebol. E, finalmente, os jogadores não poderiam usar a mesma camisa e nem o escudo usado pelo remo. Foi quando criaram a camisa de quadrados pretos e vermelhos, logo apelidada de papagaio-de-vintém, porque se parecia com as pipas baratas que os moleques costumavam brincar nas ruas.
           
Junto e misturado com o povo. Conforme Borgerth havia profetizado, o time foi aceito na primeira divisão do Campeonato Carioca, inclusive com o voto a favor do Fluminense, que também se dispôs a ceder o estádio das Laranjeiras para que o Flamengo mandasse seus jogos, já que o regulamento também exigia que o clube tivesse um estádio. Tal atitude o deixou emocionado, ao receber a notícia do amigo Oswaldo Palhares: “Agora sinto ainda mais orgulho de um dia ter defendido as cores do Fluminense”.
            Mas, onde o time iria treinar, se o clube só tinha a sua garagem de barcos na Praia do Flamengo? O que parecia um problema, uma desvantagem, com o tempo mostraria o quanto esta falta de campo seria benéfica e um fator fundamental para o sucesso e a popularidade do Flamengo.
            Próximo à sede do clube, na Praia do Russel, o prefeito Bento Ribeiro mandou fazer um campo de futebol gramado e com balizas, para que a garotada da região pudesse se divertir. Bem, a meninada se divertida, sim, mas só até o final da tarde, quando apareciam, com chuteiras e roupas de treino, os jogadores do Flamengo, o mais novo time da primeira divisão carioca. Era hora dos petizes verem seus ídolos de perto.
            O escritor e economista Marcel Pereira, em seu livro “A Nação”, conseguiu explicar muito bem como funcionou esta aproximação:
            “A garotada acompanhava o time, apontando o Píndaro, o Baena, o Gallo, o Borgerth, o Gustavinho. Para Alberto Borgerth, ali estava a explicação de tudo. Assim, a falta de um campo fez o Flamengo misturar-se ao povo, aproximar-se dele. Os garotos, em busca de ídolos, iam ao encontro deles no campo do Russel. Podiam tocá-los, podiam devolver as bolas que iam fora. E haviam de contar em casa, na escola, que tinham conhecido o Nery, que tinham batido nas costas do Amarante, que tinham apertado a mão do Baiano.
            Para começar a entender como o Flamengo ganhou tamanha popularidade, deve-se ir fundo na análise do espírito que permeava o clube. O caso rubro-negro é uma daquelas excelentes metáforas da eterna batalha entre o velho e o novo, entre o status quo e o revolucionário. Um capítulo da história onde se encontram a voluntariedade da juventude e a inflexibilidade do velho, geralmente carregado em vícios. A inquietação do jovem choca-se com o medo que o tradicional tem das ideias novas e de suas possíveis consequências para a sua hegemonia. No Rio de Janeiro, o Fluminense nasceu como símbolo da aristocracia da República recém-proclamada; o Vasco representava o colonizador português: opressor, explorador, ditatorial. O Botafogo não se originou nem da aristocracia e muito menos da elite colonizadora, jamais ganhou grande popularidade. O espírito Flamengo era diferente, tinha uma alma vibrante, petulante e juvenil, que logo cativaria seguidas gerações”.

            Nessa época, o futebol já começava a competir com o Remo pelo interesse da população e da imprensa. Até porque, para se praticar o remo, era preciso ser sócio de um clube e isso não era possível para grande parte da população. Já bater uma pelada, qualquer um podia, desde que se improvisasse dois times, colocasse pedras no lugar do gol e algo que servisse de bola, geralmente feita de meias.

domingo, 13 de outubro de 2013

O FLAMENGO MERECIA MAIS

A derrota do Flamengo para o Botafogo, por 2 x 1, não refletiu exatamente o que foi o jogo.

As duas equipes fizeram uma ótima partida e o resultado mais justo teria sido um empate.

Faltou sorte ao Flamengo?

Não só isso.

O Jayme de Almeida escalou a equipe com o Carlos Eduardo de titular. Como sempre, o Caduzzzzz foi um peso morto em campo.

Pra piorar a situação o André Santos não se apresentou bem, parecia se esconder da bola.

O Jayme demorou muito para tirar essas duas peças que sobrecarregaram o time rubro-negro.

Agora temos a obrigação de ganhar do Bahia, na próxima quarta-feira, no Maracanã.